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Folha de SP – 04/11/2008
Faturamento da indústria volta a crescer em setembro com expansão de 10,2%
O faturamento da indústria brasileira voltou a crescer em setembro, depois da queda registrada em agosto, sem refletir ainda os efeitos da crise internacional de crédito no Brasil.
Segundo a pesquisa mensal do setor realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o faturamento cresceu 10,2% em relação ao mesmo mês do ano passado e 2% entre agosto e setembro (dado dessazonalizado, que não considera fatores específicos do período).
No dado mensal sem o ajuste sazonal apontou expansão de 5,2% em relação a agosto. Entre janeiro e setembro, houve uma expansão de 8% no faturamento.
De acordo com a CNI, os resultados sem ajuste foram influenciados também pelo número de dias úteis. Setembro deste ano teve três dias úteis a mais de setembro do ano passado e um dia a mais em relação ao mês de agosto deste ano.
Entre os setores, os melhores resultados no ano ficaram com outros equipamentos de transporte (32,3%), veículos automotores (+23,2%) e máquinas e equipamentos (+23,1%). Os dois últimos, somados a refino de álcool, responderam por 62% do crescimento do faturamento total da indústria. Na outra ponta, tiveram queda os setores de madeira (-10,5%) e produtos químicos (-8,8%).
Danilo Verpa/Folha Imagem
Produção industrial cresceu 1,7% em setembro e 6,5% sobre 2007, apontou pesquisa do IBGE
O uso da capacidade instalada da indústria alcançou o patamar recorde de 84,4% em setembro, o maior da série da CNI para esse mês. No mês anterior, estava em 83,7% (dados sem ajuste). Com o ajuste, o indicador subiu de 83% para 83,3%.
Emprego
O emprego na indústria cresceu 1,1% (dado sem ajuste) em relação a agosto e 4,3% na comparação anual. No ano, houve avanço de 4,4%. O emprego na indústria vem crescendo a 30 meses consecutivos.
As horas trabalhadas na indústria subiram 1,6% em relação a agosto e 9,6% na comparação com o ano passado. Em nove meses, houve avanço de 6,1%. Já a massa salarial subiu 3% no mês e 7,1% em relação a setembro de 2007. No ano, o aumento foi de 5,3%.
Crise
O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que os dados de setembro ainda não refletem os efeitos da piora na crise internacional no setor industrial brasileiro, o que deve aparecer nos dados somente em 2009. A tendência é a mesma apontada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) na semana passada.
"Como setembro foi muito forte, é possível que em outubro tenha até uma pequena acomodação. Mas eu não acredito que nós já iremos sentir nos próximos meses, com mais clareza, essa mudança desse cenário", afirmou.
Ele afirmou também que o nível alto no uso da capacidade instalada não deve pressionar os preços, ainda mais diante desse quadro de possível desaceleração econômica. "Em função da mudança de quadro, nós temos de nos preocupar menos ainda com o uso da capacidade nos próximos meses", disse o economista.
IBGE
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou hoje que a produção industrial industrial cresce 1,7% em setembro ante mês anterior e 6,5% sobre 2007. Segundo o instituto, houve alta na produção em 20 dos 27 ramos pesquisados em setembro, na comparação com o mês anterior. Em agosto, o IBGE havia detectado uma retração de 1,2%.
Na comparação com setembro do ano passado, o crescimento foi de 9,8%, o que configura um quadro de 27 altas consecutivas neste dado comparativo. No ano, a indústria tem incremento de 6,5%, em relação ao verificado de janeiro a setembro de 2007. No acumulado dos últimos 12 meses, a produção industrial tem crescimento de 6,8%.
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